Consumidor voltará a pagar subsídio na luz
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Informativo Enermerco 1902

O Informativo Enermerco (edição de fevereiro) é um compilado das informações mais relevantes do mercado de energia do período, exclusivamente elaborado para o seu acompanhamento mensal.

 



Mercado de Energia x Tendência do PLD

O ano de 2019 iniciou com preços muito acima das previsões do final de 2018. A principal responsável pela variação do PLD foi a alteração na estimativa de afluências previstas para o SIN e consequente redução nas ENA`s esperadas.

O período de janeiro fechou com o aumento de 243% no PLD médio dos submercados Sudeste e Sul, se comparado com o período anterior, consolidando conforme valores abaixo e descolamento no preço médio do submercado Norte.

Demonstrativo do PLD Médio

Mês Submercado
Janeiro 2019 SE/CO S NE N
192,10 192,10 84,76 74,19

 

Demonstrativo do PLD Médio da 1ª semana

Mês Submercado
Fevereiro 2019 SE/CO S NE N
377,10 337,10 137,55 83,06

 

Os limites de envio de energia do Norte para o Sudeste foram atingidos em todos os patamares de carga, resultando na diferença de preço entre os submercados.

As afluências previstas para o Sistema Interligado Nacional – SIN ficou em torno de 82% da média histórica e são esperadas em 83% da MLT no Sudeste, 75% no Sul, 57% no Nordeste e em 90% da média histórica no Norte.

A expectativa é que a carga prevista para a próxima semana no Sistema seja em torno de 100 MWmédios mais alta, com alteração apenas na região Sudeste.

Já os níveis dos reservatórios do SIN ficaram cerca de 1.575 MWmédios mais altos em comparação com o esperado na semana passada. Houve elevação nos submercados Sudeste (-1.225 MWmédios), Nordeste (-310 MWmédios) e Norte (-160 MWmédios). No Sul os reservatórios apresentaram níveis cerca de 120 MWmédios mais baixos.

O fator de ajuste do MRE para janeiro foi revisto de 100,4% para 100,2%. A previsão de Encargos de Serviços do Sistema – ESS para o primeiro mês de 2019 é de R$ 68 milhões, valor quase integralmente referente à restrição operativa. Apenas R$ 30 mil são referentes à reserva operativa de potência, verificada somente no primeiro dia do ano.

 


A bandeira de janeiro, verde, não apresentou custos adicionais ao consumidor.

Para fevereiro/2019, temos novamente a mesma bandeira verde. As chuvas têm propiciado elevação da produção de energia pelas usinas hidrelétricas e relativa elevação do nível dos reservatórios.

No entanto, mesmo com a bandeira verde, é importante manter as ações relacionadas ao uso consciente e combate ao desperdício de energia elétrica, haja vista o despacho fora da ordem de mérito autorizado pelo CMSE – Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Ou seja, o comitê, que foi criado para avaliar as condições de segurança de suprimento de Energia após os episódios de apagão no Governo FHC, determinou que térmicas de custo mais caro que a ordem de despacho do ONS fossem acionadas, dada as previsões de baixa afluência.

Estes custos adicionais serão cobrados de todos os Consumidores Livres e Especiais, como também Distribuidoras, através de Encargo, que fatidicamente será levado em consideração pela ANEEL no vindouro cálculo das revisões tarifárias destas Distribuidoras.

 

Pierro Campestrini – Diretor da Enermerco

 

Geração e Consumo

 

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE, divulgou no final de janeiro, novos comparativos de geração e consumo no SIN – Sistema Interligado Nacional.

O Sistema Interligado Nacional é o sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil, sendo um sistema hidro-termo-eólico de grande porte, com predominância de usinas hidrelétricas e com diversos proprietários. O Sistema Interligado Nacional é constituído por quatro subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e a maior parte da região Norte.

Em comparação ao mesmo período de 2018, temos acréscimos. A geração e o consumo registraram aumento de 7% e 6,5%, respectivamente.

 

 

Geração por Fonte de Energia

As fontes de geração, abaixo demonstradas, mostram parte do panorama da produção nacional. Como vemos, o destaque de janeiro está na queda da geração das térmicas: 26,2%, em relação ao mesmo período do ano anterior, 2018. As hidráulicas cresceram 10,9% na geração e as usinas eólicas aumentaram em 25,7%.

 

ENA, MLT e Nível dos Reservatórios

 

No gráfico de Energia Natural Afluente do SIN, observamos que tanto os percentis da ENA Janeiro/2019 acumulada e da expectativa, estão abaixo da Média de Longo Termo, que consiste na média aritmética das vazões naturais verificadas durante uma série histórica. Trata-se de mais um parâmetro de operação do SIN – Sistema Interligado Nacional, que o ONS – Operador Nacional do Sistema, monitora para gerenciar a geração de energia elétrica do país.

Na sequência o gráfico de Energia Armazenada com valores em MWmês, no período de fevereiro de 2018 a janeiro de 2019, onde verifica-se a oscilação dos montantes de energia por Submercado do SIN – Sistema Interligado Nacional.

Abaixo, vemos ilustrações que mostram como a anomalia climática vista em janeiro, interferiu diretamente nos dados apresentados acima, sobre os reservatórios: os volumes de chuva demonstram que janeiro de 2019, foi o 32º pior mês no histórico apurado da ENA. Enquanto em 2017, foi o 5º pior.

Fator de Ajuste de MRE

O Mecanismo de Realocação de Energia (MRE) é um mecanismo financeiro que visa o compartilhamento dos riscos hidrológicos que afetam os agentes de geração, buscando garantir a otimização dos recursos hidrelétricos do Sistema Interligado Nacional (SIN). Para verificar a quantidade de energia produzida em relação à garantia física das usinas pertencentes ao MRE, foi criado o Fator de Ajuste da Garantia Física, ou Generation Scaling Factor – GSF. Ele mede a geração hidráulica em relação à garantia física, cujo cálculo é feito mensalmente pela CCEE.

Para fevereiro, conforme a CCEE, temos a estimativa de 100,5% do fator de ajuste do MRE, com Geração Hidráulica prevista de 55.195 MW. Em janeiro, atingiu-se uma geração, de 100,1% em relação às Garantias Físicas para o ano de 2019.

 

Encargos de Sistema (ESS, ESE, CDE)

Os custos decorrentes da manutenção da confiabilidade e da estabilidade do sistema no atendimento à demanda por energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) são denominados Encargos de Serviço do Sistema (ESS). Estes valores são pagos por todos agentes com medição de consumo registrada na CCEE, na proporção de seu consumo. Os ESS são expressos em R$/MWh.

No mês de janeiro/2019, somando os Encargos de Serviço do Sistema, dentre as Restrições Operativas e as de Segurança Energética, obteve-se um total de R$ 238 milhões.

Projeção de ESS e Custos devido ao deslocamento entre CMO e PLD

 

Previsão Climatológica Trimestral

Este trimestre é considerado de transição e caracteriza-se pela proximidade da ZCIT sobre o norte do Brasil. Isto provoca dias mais chuvosos em toda faixa norte do Brasil e mantém a Região Norte com poucas mudanças com relação ao trimestre anterior. Devido ao posicionamento mais ao sul ZCIT, o setor norte da Região Nordeste experimenta um aumento das chuvas, com máximo durante abril. Por outro lado, as Regiões Sudeste e Centro-Oeste apresentam uma diminuição gradativa da precipitação já no mês de março. De modo geral, a Região Sul apresenta pouca mudança no Rio Grande do Sul, enquanto que o Paraná e o leste de Santa Catarina evidenciam redução dos totais pluviométricos em comparação com o trimestre anterior. No final deste trimestre, inicia-se o declínio das temperaturas mínimas na Região Sul do Brasil e das temperaturas máximas nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste. As climatologias de precipitação e temperaturas máxima e mínima, no Brasil, são mostradas na Figura 2. As climatologias de precipitação e temperaturas máxima e mínima, no Brasil, são mostradas na figura a seguir:

 

 

 

 

 

Consumo de energia deve bater novo recorde em fevereiro

Estimativa do Operador Nacional do Sistema é de alta de 7% – Agência Brasil

Segundo estimativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a demanda por energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) deve crescer 7% em fevereiro, em comparação com o mesmo mês do ano passado. A expansão será de 5,3 pontos percentuais em relação ao crescimento de 1,7% relativo a fevereiro de 2018. A informação foi dada à Agência Brasil por Luiz Eduardo Barata, diretor-geral do ONS. Para ele, no entanto, não há motivo para preocupação, porque o Carnaval deste ano cai em março – no ano passado, foi em fevereiro. “As pessoas logo pensam: ‘poxa, vai crescer tanto assim a carga?’ Então, aí acende o sinal amarelo. Acontece que, em fevereiro do ano passado, nós tivemos o Carnaval, que este ano será em março”.

Barata explica que, no período de Carnaval, o consumo cai bastante com a redução no ritmo de algumas atividades, principalmente na indústria. “Então, o consumo de energia em fevereiro deste ano vai ser muito maior do que no ano passado, uma vez que a semana do Carnaval é de baixo consumo, por ser de baixa produção no país”, completa o diretor-geral do ONS.

Temperatura lembrando as altas temperaturas verificadas em janeiro, que já levaram à quebra de cinco recordes de demanda de carga de energia do SIN nas últimas três semanas, Eduardo Barata diz acreditar que a situação não deverá se repetir em fevereiro. “Nossa expectativa é de que, obviamente, vai haver crescimento de consumo, mas nada exagerado em relação às demandas que tivemos em janeiro, até porque é possível que as temperaturas não fiquem tão altas em fevereiro quanto estiveram no mês passado”.

Nas últimas três semanas, o país já bateu cinco recordes de demanda de energia proveniente do Sistema Interligado Nacional. O último foi batido no dia 30 de janeiro, quando a demanda máxima do SIN chegou a 90.525 MW às 15h50. O recorde anterior, de 89.114 MW, foi registrado no dia 23 de janeiro. O subsistema sul também teve recorde de carga por dois dias consecutivos. No dia 29 de janeiro, foi registrado pico de 18.554 MW, às 14h28. No dia seguinte, um novo recorde: 18.883 MW, às 14h08. Anteriormente, o recorde era de 17.971 MW, no dia 6 de fevereiro de 2014. Os recordes se devem às altas temperaturas registradas no país, segundo o ONS.

Estas altas temperaturas foram tratadas como anomalia pela CCEE. Receberam destaque no último informativo da Câmara, inclusive. Veja:

 

 

 

 

Celesc alerta que não há erro na conta de luz, mas aumento de consumo

Por Estela Benetti

A conta de luz de janeiro tem chegado nas residências de catarinenses com valores bem maiores do que a média do ano.

Isso levou muitos clientes da Celesc, a companhia distribuidora de energia do Estado, a reclamar do custo maior e suspeitar até de erro na leitura de consumo.

Por isso, a Celesc divulgou um comunicado oficial explicando que as contas subiram pelo maior uso de energia, especialmente com ar condicionado (Leia a nota abaixo), em função dos recordes de temperatura

(Foto: Celesc/Divulgação)

Comunicado oficial:

Em relação às manifestações de consumidores sobre a fatura de energia emitida neste mês de janeiro/2019, a Celesc informa que não houve cobrança adicional ou erro no processamento de dados no faturamento da Empresa. O aumento na conta de luz para muitos clientes se deve, em grande parte, ao maior consumo de energia registrado nos últimos meses, especialmente pelo uso de equipamentos elétricos, como ar-condicionado e motores de piscina, em períodos de temperatura elevada. Esse avanço é confirmado, inclusive, pelos elevados índices na demanda de energia registrados pela Celesc nas últimas semanas. Desde dezembro, o recorde foi batido três vezes, em três dias seguidos – 15 de janeiro (4.875MW, 16 de janeiro (4.989,82 MW) e 17 de janeiro (5.030MW). A Celesc reitera que a tarifa de energia elétrica da companhia não é reajustada desde agosto/2018 e orienta que os clientes confiram atentamente o histórico de consumo e o período de apuração da leitura na fatura recebida. Quando se trata de variação de consumo, o cliente pode comparar a leitura atual no medidor do seu imóvel com a leitura apresentada na fatura – a diferença entre os números indica o quanto já foi consumido de energia em kWh no período.

Uma dica para economizar

Muitas famílias compraram ar condicionado nos últimos anos. Mas para gastar menos, precisam racionalizar o uso ou trocar por um mais moderno. Isto porque o ar é o aparelho que mais gasta energia. O Proteste informa que um aparelho antigo de 7.500 BTUs que fica ligado oito horas por noite gasta R$ 169,92 de luz por mês. Já um aparelho moderno Split, também com 7.500 BTUs e as mesmas horas de uso gasta apenas R$ 65,61 por mês. Isto significa que em 10 meses de economia na conta é possível pagar o aparelho novo.

 

 

 

O primeiro mês do governo Bolsonaro

Por Ricardo Amorim

O governo Bolsonaro mal começou. Julgá-lo agora seria por demais precipitado, mas é preciso. Chegando próximo ao final do seu primeiro mês já dá para vermos algumas de suas sinalizações e para onde apontam. Começando pelas boas notícias, Bolsonaro cumpriu sua promessa eleitoral de alijar os partidos políticos da formação de seu ministério. Sempre desconfiei que esta fosse apenas uma promessa de campanha que seria rapidamente descumprida. Felizmente, eu estava enganado. Seu ministério foi formado por critérios técnicos – como nos casos de Paulo Guedes e Sergio Moro – ou indicações de bancadas temáticas do Congresso – umas afeitas ao próprio assunto do ministério –, como na Agricultura e na Saúde ou – mais questionáveis – na Educação e nas Relações Exteriores.

Bolsonaro deu vários sinais de que pretende governar para todos os brasileiros e reconheceu suas limitações em relação a vários assuntos, o que demarca o risco de decisões atabalhoadas. Sob outros aspectos, o governo vem deixando a desejar. Sua comunicação tem sido bastante confusa. Com frequência, um ministro e até o próprio presidente Bolsonaro acabam desmentidos. Isto enfraquece a credibilidade dos anúncios, reduzindo sua capacidade de gerar expectativas positivas. A participação do governo e do próprio Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, onde se esperava uma posição de protagonismo do Brasil, foi decepcionante.

Além disso, a Reforma da Previdência não foi incluída entre as prioridades para estes primeiros 100 dias. Esta seria a mais importante medida para garantir a estabilidade e o crescimento da economia brasileira nos próximos anos. Para completar, as acusações que atingem seu filho Flávio têm deixado o presidente em uma situação desconfortável.

O governo mal começou, felizmente. Ainda dá tempo de consertar tudo isso, mas é bom fazê-lo antes que os erros possam ter consequências mais graves. Em fevereiro, o Legislativo voltará a funcionar, as cobranças dos governadores aumentarão e as expectativas de investidores e empresários para com os avanços da Reforma da Previdência se tornarão prementes. Os últimos indicadores de crescimento econômico, geração de empregos com carteira assinada e inflação têm sido bons e a bolsa de valores bate recordes. Esperemos que o Bolsonaro corrija seus erros e que isto seja apenas o presságio de resultados melhores ao longo deste e dos próximos anos.

 

 

 

Agência Nacional de Mineração vai alterar fiscalização em barragens a montante

Modelos como as represas de Mariana e Brumadinho passarão a ser monitoradas diariamente pela Agência Nacional de Mineração (ANM) – Por Gabriel Ronan

A Agência Nacional de Mineração (ANM) vai ampliar a fiscalização nas barragens a montante – o mesmo modelo das que se romperam em Brumadinho e Mariana. Segundo o gerente regional da ANM em Minas, Jânio Alves Leite – em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo –, as inspeções nessas represas passarão a ser diárias a partir de agora.

Até então, os relatórios eram protocolados no Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens de Mineração (Sigbm) a cada 15 dias. Segundo Leite, o órgão pretende, a partir desta medida, antever “eventuais alterações de estabilidade das estruturas”.

Os boletins são apurados pelas próprias mineradoras e enviados ao sistema da ANM. Minas Gerais é o estado com o maior número de barragens a montante: são 41 no total. Em todo o Brasil, há 88 barramentos neste modelo.

Barragem de Brumadinho, que estava sendo desativada, tinha 86 metros de altura e comprimento da crista de 720m. Os rejeitos dispostos ocupavam área de 249,5 mil metros quadrados (Foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

Saiba Mais

Na última quarta-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu fiscalizar as providências da ANM após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho. O presidente do tribunal, José Múcio Monteiro, propôs o acompanhamento justificando, entre outros pontos, que, em levantamento anterior, o tribunal já havia constatado falhas na atuação do departamento do governo que fiscalizava barragens – o extinto Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia e extinto com a criação da ANM em 2018.

Segundo Múcio, uma auditoria operacional no DNPM após o rompimento da barragem da Samarco constatou que “as falhas e irregularidades verificadas envolviam a atuação em nível institucional da Autarquia e alertavam para o risco latente e potencial de outros acidentes envolvendo barragens de rejeitos de mineração no País”.

O tribunal destacou, também, limitações significativas na estrutura orçamentária do DNPM, que poderiam impactar no desempenho do órgão de fiscalização.

 

 

 


Fontes: AGÊNCIA SENADO – ANEEL – ABRAPCH – CANAL NEGÓCIOS – CANAL ENERGIA – OCESC – ESTADÃO – EXAME – FOLHA – ONS – GAZETA DO POVO – INFOCLIMA – MME – PORTAL G1 – CCEE – PORTAL GLOBO.COM

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